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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Hand Spinners e o autismo

Conhecido como hand spinner o brinquedo da moda vem causando a maior sensação entre crianças e jovens do mundo inteiro. Ela gira quando impulsionada pelos dedos. O que se fala é que a peça é relaxante e ajuda na concentração.

Surgiu a informação de que o brinquedo é bem proveitoso para o autista, tendo em vista que geralmente autistas gostam de coisas que giram, que isso teria um efeito calmante e que poderia ser os “minutos de sossego” que algumas mães precisam para que seus filhos larguem o tablet ou controlem a ansiedade em um local público, por exemplo. Tenho recebido questionamentos de muitas mães me perguntando se estas informações procedem e se devem ou não comprar para seu filho autista uma peça igual.

A primeira coisa a se considerar é que, em se tratando de autismo, definitivamente não existe fórmula mágica, seja para uma melhora temporária ou permanente. Temos que ter em mente  que tudo o que mais acalma o autista pode ser também aquilo que mais o leva para seu universo particular e o retira do restante do mundo. Portanto, é necessário ter cautela. O brinquedo é realmente muito bom, sendo necessário apenas ficar atento aos detalhes.

A sensação de prazer é imensa! Ver aquilo girando como hélices e conectando todas as informações dispostas diante dos olhos do autista é muito agradável, sentir a vibração dos rolamentos tocando as pontas dos dedos e subindo pelos braços é melhor ainda. É como um toque na exata frequência que deve ser sentida...

Para os pais que estão em dúvida sobre comprar ou não, eu deixo a dica para que não comprem hand spinners eletrônicos, aqueles que vêm com pilhas e acendem luzes e até podem girar sozinhos. O que mais gera o prazer no autista é justamente o fato de ele próprio poder disparar o giro e, embora pareçam felizes com a ideia de ver o brinquedo girando sozinho e cheio de luzes coloridas, logo pode vir uma crise nervosa porque não era aquilo que eles imaginavam, especialmente os que não tem a habilidade da fala.

Jamais entregue um hand spinner para uma criança autista e o deixe só, se possível compre dois, um para você e um para ele, proponha desafios, trocas e tempo para terminar a brincadeira, converse com ele enquanto brincam e peça para que de tempos em tempos ele olhe nos seus olhos. Deixar um autista olhando um objeto girar incessantemente é o mesmo que lhe abrir as portas de seu mundo particular e dizer que ele pode ficar lá.
Entenda que é muito mais vantagem para o autista viver em seu próprio mundo, longe das maldades humanas, das ironias, dos julgamentos e das segundas intenções. Não conseguir expressar de forma verbal o que sente é uma forma de manter-se seguro em seu mundo sem ter que fazer parte desse universo estranho dos neuro típicos.
Por isso é importante estar atento a cada possibilidade dessa perda de conexão, pois quando o autista cria confiança e sai do seu mundo para o dos outros é um risco que se corre de perder o contato com ele caso haja a quebra desta confiança. Quando falamos de autistas na fase da infância, aí é mais delicado ainda, porque a dificuldade de expressar os sentimentos pode lhes colocar em situação de defesa e fazer com que eles fiquem isolados em seus próprios pensamentos.

Não me canso de dizer: Desconfie do “autista adulto” ou que se diz autista por conveniência, que fala que não sabe o que é cada sentimento. O autista pode não saber expressar o que sente, mas a sensibilidade é tão aguçada que são capazes até mesmo de prever atitudes dependendo da intenção das pessoas. Obviamente estou falando aqui para pessoas que sabem ler as entrelinhas, as reações inesperadas de seus filhos que, do nada começam a chorar ou se recusam a fazer algo. Olhe em volta, veja se não tem uma pessoa desagradável, falsa ou com olhar crítico, tudo é sentido. Não somente pelos autistas leves, na verdade essa regra vale ainda mais para os severos que, do nada começam a gritar e se debater, tudo o que mais precisam é de silêncio e o contato com a pessoa que mais confiam. Nunca pergunte porque ele está assim, provavelmente ele sabe exatamente o que está se passando, mas não consegue dizer. Já se imaginou assim?

O que posso lhe dizer é que tudo é proveitoso na vida do autista desde que você esteja junto, sentindo, vivenciando, deixando de lado outras coisas também importantes, para estar com seu filho, descobrindo, sorrindo e aproveitando cada segundo.

Mas é complicado. O marido não ajuda? O parente só critica? Bom, não espere que te achem uma heroína ou super mãe, apenas delegue funções, independentemente se isso for bem recebido por quem convive com você ou não. Peça ajuda para alguém para colocar as roupas na máquina de lavar, faça uma lista do supermercado e peça para irem no seu lugar, diga não aos pedidos absurdos de favores de pessoas que não tem filho autista, faça uma agenda para você, se organize, repita no jantar a comida servida no almoço, congele comida para a semana inteira se você achar mais fácil, seja como for, você irá achar tempo para brincar, para estar com seu filho, mesmo que isso represente deixar sua casa para depois, seus e-mails, mensagens e encontros para outro dia, pode acontecer de você perder um prazo, uma venda ou seja lá o que for que você perca dependendo da área que você trabalha...

Eu posso afirmar com toda a certeza do mundo que não há nada mais incrível para o autista do que ter com ele uma pessoa presente de corpo, mente, alma e coração – com ou sem spinner...

Beijo muito carinhoso, fiquem com Deus
Mamãe – Kenya Diehl
Coordenadora MOAB/POA
Movimento Orgulho Autista Brasil
facebook/kenyatldiehl
www.kenyadiehl.wixsite.com/olhandonosolhos

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